Parque Socioambiental de Canabrava entra na fase final e deve ser licitado em 2026
- 2 de mai.
- 3 min de leitura

Incluído no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) desde 2016, o Parque Socioambiental de Canabrava está prestes a ter seu projeto concluído. A iniciativa, conduzida pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), é considerada uma das principais apostas da administração municipal para avançar ainda este ano para a etapa de licitação.
A proposta prevê a criação de um grande espaço público em uma área de aproximadamente 54 hectares — dimensão equivalente a cerca de 70 campos de futebol. O parque será estruturado em dois núcleos com funções distintas. O primeiro ocupará o terreno do antigo Aterro Sanitário de Canabrava e terá foco em ações de educação ambiental e incentivo à economia local. Já o segundo será implantado em uma área próxima, que preserva trechos de Mata Atlântica, e reunirá equipamentos voltados ao lazer, esporte, cultura e convivência comunitária, além de iniciativas de valorização histórica do bairro.
Parte da área do primeiro setor já está em uso: trata-se de um estacionamento com capacidade para 2.040 veículos, entregue no início de 2025. O espaço tem sido utilizado especialmente em dias de jogos do Vitória, no Barradão, ajudando a diminuir o impacto do trânsito na região.
De acordo com a presidente da FMLF, Tânia Scofield, esse estacionamento permanecerá no projeto final. Ela explica que estudos técnicos realizados recentemente — incluindo análises ambientais e de emissão de biogases — indicaram a necessidade de impermeabilização do solo naquele ponto. A solução adotada, portanto, atende simultaneamente às exigências ambientais e às demandas de mobilidade urbana.
O Setor 1 também deverá concentrar estruturas como usina solar, ecoponto, horto municipal e unidade de compostagem. Estão previstos ainda um galpão para triagem de resíduos, equipamentos esportivos associados a um campo requalificado e uma praça com quadra poliesportiva e espaço de apoio para trabalhadores informais. Há, inclusive, a possibilidade de implantação de uma estação de tratamento de chorume, cujo material poderá ser reaproveitado na irrigação do horto.
A ligação entre os dois setores será feita por uma passarela sobre a Rua Flor de Mandacaru. No segundo núcleo, onde hoje funciona a Praça da Juventude, o projeto inclui a criação de novos espaços públicos, como uma praça de acesso e outra de maior porte, equipada com parque infantil, anfiteatro, áreas para prática de skate e ciclismo, além de quiosques e pontos de observação.
Outros elementos previstos são um espaço voltado à agrofloresta, uma horta comunitária e uma unidade da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis). A área também contará com presença da Guarda Civil Municipal, que terá base operacional no local.
Entre os equipamentos planejados, ganha destaque o Memorial dos Catadores, dedicado à preservação da história da comunidade e à formação do bairro. A proposta, segundo Tânia Scofield, é criar um ambiente que vá além do lazer, incorporando atividades educativas, encontros e debates sobre questões ambientais, além de ações com estudantes da região e de outras partes da cidade. A estrutura de compostagem reforça essa lógica ao permitir o reaproveitamento de resíduos orgânicos.
O futuro parque integra uma política mais ampla de valorização de áreas verdes iniciada em 2013. Nesse contexto, espaços como o Parque da Cidade e o Jardim Botânico passaram por requalificação, ampliando as opções de lazer urbano. A FMLF também já finalizou o projeto do Parque de Ipitanga, com execução prevista, e segue trabalhando no planejamento do Parque da Mata Escura.
A iniciativa está inserida no Plano Socioambiental de Canabrava, lançado em janeiro e construído com participação popular. O documento organiza as ações em oito frentes principais: meio ambiente e mitigação de riscos, mobilidade, economia, serviços e equipamentos públicos, qualificação dos espaços urbanos, cultura, habitação e saneamento.





















Comentários