Neste sábado (17), Noite da Beleza Negra elege a 45ª Deusa do Ébano do Ilê Aiyê
- 14 de jan.
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Nem toda coroa brilha, mas algumas sustentam o mundo. No dia 17 de janeiro, às 22h, a Senzala do Barro Preto, no Curuzu, volta a ser território sagrado de afirmação, memória e cultura preta com a realização da 45ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê, que elegerá a Deusa do Ébano 2026. Inspirada no tema do Carnaval do bloco, “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, a cerimônia destaca que há coroas que não pesam, mas libertam, feitas de tecido, pena, fé e dignidade, erguidas por cabeças que nunca se curvaram.
Em meio a processos históricos de exclusão e silenciamento, expressões culturais negras e indígenas seguiram vivas, reinventando-se como formas de resistência e permanência. Nesta edição, a Noite da Beleza Negra evidencia esse diálogo ancestral, reconhecendo a força compartilhada entre povos que transformaram identidade, espiritualidade e arte em legado. O Curuzu, coração pulsante da negritude em Salvador, mais uma vez se transforma em palco de um concurso que desloca a beleza do campo da aparência para o da consciência política.
Durante a noite, 15 candidatas sobem ao palco para disputar o título de Rainha do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, levando dança, presença, ancestralidade, carisma e energia: Bruna Christine, Camila Silva, Camila Morena, Carol Xavier, Cecília Cadile, Dandara Namíbia, Joana Sousa, Larissa Oliveira, Mavih Souza, Nayara Temporal, Rafaela Rosa, Raíssa Batista, Sarah Moraes, Stephanie Ingrid e Thuane Vitória. A vencedora receberá a coroa das mãos da atual Rainha, Lorena Bispo, que se despede do reinado após conduzi-lo com elegância, respeito e forte conexão com o público.
A cerimônia estabelece um diálogo direto com o tema do Carnaval 2026 do Ilê Aiyê, que este ano completa 52 anos de história, ao aproximar as trajetórias do povo negro e dos povos indígenas a partir da história de Maricá, no Rio de Janeiro. A proposta ressalta que turbantes e cocares não operam como ornamento, mas como símbolos de memória, resistência e direitos forjados na luta.
A identidade visual do Ilê Aiyê tem a assinatura de Mundão, artista e designer responsável pelas estampas e pela criação da identidade visual do bloco. Já Dete Lima, fundadora e estilista do Ilê, é referência na construção da moda negra como linguagem política, de resistência e pertencimento que estruturam a Noite da Beleza Negra.
O evento também se curva para homenagear Arany Santana, co-fundadora do Ilê Aiyê, mulher que transformou permanência em gesto político e memória em ação cotidiana. Nascida no Recôncavo e forjada no Curuzu, Arany construiu, ao longo de décadas, uma trajetória que iluminou caminhos, protegeu saberes e fez da cultura um território de cuidado, força e continuidade. Sua presença sustenta essa história não como lembrança, mas como pulsação viva.
A celebração também reúne Denise Correia, Gab Ferruz e Riane Mascarenhas, artistas que transitam entre teatro, canto e musicalidades afro-diaspóricas. Denise Correia, atriz e cantora com trajetória sólida no teatro, cinema e televisão, conduz o público por uma experiência cênica de memória e emoção. Gab Ferruz, representante da Nova MPB afro-pop, reafirma sua força vocal e estética conectada à ancestralidade, enquanto Riane Mascarenhas, cantora, baixista e compositora de Cachoeira, traz o reggae como linguagem de resistência, afeto e consciência social.
Na sequência de apresentações, sobem ao palco Tonho Matéria, Koanza (Sulivã Bispo) e, para encerrar com chave de ouro, Banjo Novo, em uma programação que traduz a diversidade e a vitalidade da cena cultural baiana. Tonho Matéria, referência histórica do samba-reggae e da música afro-baiana, carrega décadas de inovação, engajamento e presença internacional. Koanza, personagem criada por Sulivã Bispo, une humor, arte-educação e crítica social a partir do Curuzu, enquanto o Banjo Novo transforma o samba raiz em encontro coletivo, ancestral e urbano, celebrando a memória viva da cidade.
DO CURUZU PARA O MUNDO - A Band’Aiyê, anfitriã da noite, apresenta músicas vencedoras da 51ª edição do Festival de Música Negra, além de clássicos que atravessam gerações. Integram o repertório Curuzu Mainha, que levou o primeiro lugar na categoria “Tema”, Malassombrada, vencedora da categoria “Poesia”, e canções como O Mais Belo dos Belos, Nzinga Brasileira, Herança e Crença e Senzala do Amor. Cada composição reafirma o samba-afro como ato político de existência e instrumento de combate ao racismo no Brasil.





















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