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Festa do Lixo celebra 51 anos e reafirma tradição cultural em Fazenda Grande do Retiro

  • 4 de jul.
  • 3 min de leitura
Foto: Amanda Tropicana
Foto: Amanda Tropicana

Cortejo, teatro de rua e a tradicional coroação da Rainha do Lixo marcaram a segunda edição da retomada da manifestação criada em 1975 como forma de protesto popular.


As ruas de Fazenda Grande do Retiro voltaram a ser ocupadas pela memória, pela arte e pela mobilização popular no dia 2 de julho, durante a celebração dos 51 anos da Festa do Lixo. Promovida pelo Grupo de Arte Popular A Pombagem (@apombagem), a programação reuniu moradores, artistas e visitantes em um cortejo que transformou o bairro em um grande museu a céu aberto, reafirmando a manifestação como um dos mais importantes símbolos de resistência cultural da periferia de Salvador.


As atividades começaram com um almoço comunitário na Casa do Museu Popular da Bahia e seguiram com o cortejo performático "O Museu é a Rua", que percorreu espaços simbólicos do bairro reunindo teatro, música, poesia, capoeira e outras expressões da cultura popular. A programação também contou com a tradicional coroação da Rainha do Lixo, que este ano foi representada pela atriz e ativista da cultura Maria Marighella.


“No dia em que a Bahia lembra ao Brasil que independência se faz com povo na rua, a Pombagem faz da memória um trabalho vivo, da rua um museu aberto e da cultura uma forma de enfrentar apagamentos históricos. Nos reunimos nesse reinado cultural de festa de transformação por democracia, soberania e liberdade”, destaca Marighella.


Idealizador da Festa do Lixo, criada em 1975, Waldemar Oliveira participou da celebração e destacou a importância da retomada da manifestação. "A Festa do Lixo nasceu como um movimento de reivindicação popular. Era um espaço para discutir os problemas do bairro, levar essas demandas ao poder público e, ao mesmo tempo, celebrar a cultura e o encontro da comunidade. Ver essa história sendo retomada é muito significativo, porque restaura a memória política e cultural de Fazenda Grande do Retiro."


Para Fabrício Brito, diretor do Grupo de Arte Popular A Pombagem, a retomada da festa fortalece o reconhecimento do bairro como um território de produção artística e patrimônio cultural. "O público busca vivenciar experiências autênticas ligadas às culturas populares, à memória social e às manifestações artísticas periféricas. A celebração dos 51 anos reafirma esse potencial ao transformar as ruas do bairro em um grande circuito de cultura viva."


Esta foi a segunda edição da Festa do Lixo desde sua retomada, consolidando o movimento de valorização da história da manifestação e da identidade cultural de Fazenda Grande do Retiro. A edição de 2026 contou com apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.


SOBRE O GRUPO DE ARTE POPULAR A POMBAGEM


Criado em 2009, na periferia de Salvador, o Grupo de Arte Popular A Pombagem nasceu das poesias declamadas em praças e ruas de Fazenda Grande do Retiro e São Caetano, que mais tarde se transformaram em dramaturgias para o teatro de rua. Há 16 anos, o grupo desenvolve o movimento “O Museu é a Rua”, a partir de experiências estéticas e poéticas em torno da museologia popular.



Em 2022, o coletivo inaugurou sua sede própria, a Casa do Museu Popular da Bahia, museu comunitário localizado em Fazenda Grande do Retiro. Em 2023, integrou o Programa de Residência Artística do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), com quatro meses de atividades que incluíram exposições, saraus e oficinas. Em 2024 retomou suas ações na sede comunitária, com programação cultural e participação ativa de moradores da região. O grupo também integra a Periferia Brasileira de Letras (PBL), iniciativa da Cooperação Social da Presidência da FIOCRUZ.

 
 
 

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