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Entrevista: Ivanzinho Pacapuco, um dos maiores percussionistas da Bahia, conta sobre a sua relação com a música baiana.

  • Foto do escritor: Maíra Côrtes
    Maíra Côrtes
  • 12 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal
Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal

Por Maíra Côrtes / Colaboradora


Com mais de quatro décadas dedicadas ao tambor, Ivã Oliveira Santos, mais conhecido como Ivanzinho Pacapuco, é um dos nomes mais expressivos da percussão baiana. Filho de pai Babalorixá, iniciado na música aos 8 anos no terreiro “Deus e as Águas”, ele acumula gravações com praticamente todo o Axé Music, trabalhos ao lado de grandes nomes da música brasileira e passagens por palcos internacionais. Atualmente, integra a banda de Luiz Caldas, atua com Peu Baiano e com a Banda Terráquea, além de seguir como compositor, arranjador, produtor musical e artista plástico.

 

Onde nasceu?

Nasci em Salvador, na Bahia, no coração do maior bairro negro da América Latina: a Liberdade. Sou filho de Dona Joana, que me trouxe ao mundo pelas mãos de uma velha parteira na Rua Juazeiro. Vim ao mundo como muitos dos meus ancestrais: cercado de fé, tambor e comunidade.


A música sempre fez parte da sua vida?

Sempre. Comecei a tocar aos 6 anos no terreiro de meu pai, Manuel. Aos 8, já comandava os atabaques, e nunca mais parei. Cresci ouvindo o som que nasce da terra, da pele e do coração.


Qual sua relação com a música/percussão?

Minha vida inteira foi feita tocando. Eu respiro percussão. Fui diretor de afoxé e de bloco afro, toquei e gravei com grandes artistas, vivi 13 anos na estrada com Ricardo Chaves, participei de DVDs de Babado Novo, Cláudia Leitte, Araketu, Alexandre Peixe e do icônico “AfroPop”, de Margareth Menezes no TCA. Trabalhei na lendária WR Discos, a maior gravadora do Norte/Nordeste, com o saudoso Wesley Rangel, onde gravei com praticamente todo o Axé Music e também com artistas nacionais e internacionais.


Faço shows, projetos culturais, dou aulas presenciais e online, ensino percussão para um grupo de samba de roda da terceira idade, e hoje integro a banda do mestre dos mestres, Luiz Caldas. Percussão não é parte da minha vida — ela é a minha vida.


Como foi sua iniciação na percussão?

Minha iniciação começou antes de nascer. Vim ao mundo dentro de um terreiro. Meu primeiro tambor foi o coração da minha mãe. E desde então a percussão me chama pelo nome.


Quando percebeu que poderia viver apenas de música?

No dia em que fui ao banco depositar um cheque de três shows que fiz no Carnaval. O gerente disse: “Em três dias você fez mais do que eu ganho no mês inteiro.” Ali entendi que o tambor seria meu caminho, minha profissão e meu destino.


Quem são seus ídolos musicais?

Me inspiro em Bob Marley, Peter Tosh, Zeca Pagodinho e Luiz Caldas, entre muitos outros que abriram caminhos e iluminaram trilhas.


Com quais artistas já tocou e gravou?

A lista é longa ne cheia de histórias, como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Alcione, Ana Carolina, Fafá de Belém, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Caldas, Ricardo Chaves, Daniela Mercury, Araketu, Claudia Leitte, Edil Pacheco, Sarajane, Carla Visi, Marcia Freire, Tonho Matéria, Banda Terráquea, entre muitos outros. Gravei com quase todo o Axé Music e sigo construindo essa trajetória com orgulho.


Para onde a música já te levou?

A percussão me levou pelo Brasil inteiro e também para vários países: Portugal, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Argentina, Aruba, Colômbia e Bolívia. A música abre fronteiras, portas e caminhos onde antes só havia sonhos.


Como você define o poder da percussão?

A percussão é um instrumento social poderoso e salva vidas. Ensinar tambor é oferecer sonho, pertença, disciplina. É mostrar a jovens que existe um caminho possível longe da violência. Com as mãos, eles podem tocar o mundo.


Você trabalha com o precursor da Axé Music, o grande Luiz Caldas. Como é trabalhar com ele?

Um privilégio. Luiz é um fenômeno da música brasileira: genial, múltiplo, incansável. Toca tudo, compõe como poucos, inova sempre — mas o que mais me encanta é a simplicidade e grandeza humana dele. Trabalhar com Luiz é aprender todos os dias.


O que você gosta de fazer quando não está tocando?

Gosto de fazer música com os amigos. E, nos meus momentos de silêncio, pinto. Sou também artista plástico, já tenho obras prontas e outras vendidas. A arte me atravessa de todas as formas.


Qual a história mais marcante da sua carreira?

Entre muitas, uma é inesquecível: viajar para a cidade de Battle, na Inglaterra, ao lado dos percussionistas Orlandinho e Leonardo, para gravar o disco do português Pedro Abrunhosa no estúdio do próprio Prince. Foi mágico. Parecia que o tambor estava me dizendo: “Viu? É aqui que você merece estar.”

 


 
 
 

1 comentário


Natinho Baixista
15 de dez. de 2025

Falar de Ivanzinho Pacapuco é falar de profissionalismo, talento e caráter. Um percussionista completo, daqueles que honram a música em cada detalhe, no palco, no estúdio e na convivência diária.


Ivanzinho é um músico extremamente responsável, com uma trajetória construída ao lado de grandes artistas, sempre com entrega, respeito e excelência musical. Seu talento é indiscutível, mas o que realmente o diferencia é o ser humano: educado, amável, parceiro e generoso, daqueles que tornam qualquer trabalho melhor e mais verdadeiro.


Sua contribuição para a música baiana e brasileira é profunda. Cada ritmo, cada levada e cada toque carregam identidade, história e compromisso com a nossa cultura. Ivanzinho não apenas toca percussão — ele sustenta o groove, valoriza a música e…


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