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Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas: o ritual de despedida que se recusa a calar em Salvador

18 de fev.
2 min de leitura

 


Foto: Lucas Moura/ Secom
Foto: Lucas Moura/ Secom

Nascido como um presente para os trabalhadores da folia, o tradicional desfile sem cordas celebra 31 anos em 2026, transformando a manhã de cinzas no último grande ato de democracia do Carnaval baiano. Enquanto o calendário oficial aponta para o início da Quaresma, as ruas da capital baiana provam que o Carnaval de Salvador só termina quando o último tambor de Carlinhos Brown silencia. Nesta quarta-feira (18), o Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas volta a ocupar a orla da Barra com a missão de realizar o encerramento apoteótico da maior festa de rua do mundo.


A Voz dos Invisíveis: A Origem do Movimento:

A história do Arrastão remete a 1992, quando Carlinhos Brown decidiu que a folia precisava de um capítulo final dedicado àqueles que fazem a festa acontecer nos bastidores. "O Arrastão foi criado para o gari, para o ambulante, para o cordeiro e para o policial", costuma reafirmar o Cacique do Candeal.


O que começou como uma saída informal da Timbalada evoluiu para um fenômeno de massas. Ocupando o vácuo entre a euforia do Carnaval e a introspecção das Cinzas, o evento quebrou paradigmas e hoje é considerado o momento mais democrático da folia, sem qualquer separação por cordas ou abadás.


Estrelas na Avenida: Programação 2026:

Para este ano, a grade mantém a tradição de misturar ritmos percussivos e o pagode baiano, garantindo que o folião "pipoca" tenha o protagonismo absoluto:


  • Abertura Institucional: Como anfitrião vitalício, Carlinhos Brown comanda a saída do Farol da Barra por volta das 10h, frequentemente acompanhado por convidados surpresa e orquestras de percussão.

  • Força do Pagode: Nomes como Léo Santana e Edcity são as apostas para manter a energia no ponto mais alto durante o percurso até Ondina.

  • Sertanejo Elétrico: O cantor Danniel Vieira também é presença confirmada, trazendo o "sertanejo com dendê" para o público matutino.


O Legado Cultural:

Mais do que uma simples festa, o Arrastão é um ato de resistência cultural. Ele prolonga a economia local e celebra a identidade baiana em sua forma mais pura. Ao chegar em Ondina, o encontro de trios marca o "adeus" oficial, deixando a cidade pronta para a limpeza e para o planejamento do ciclo de 2027.

 

 
 
 

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