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A Panacéia celebra quase duas décadas de teatro feminista e protagonismo feminino nos palcos

  • 4 de jul.
  • 3 min de leitura
Foto: Marina Silva
Foto: Marina Silva

Coletivo baiano consolidou uma trajetória marcada pela criação autoral, pesquisa sobre mulheres da História e reconhecimento nacional e internacional.


Há 18 anos, A Panacéia – grupA de teatro vem construindo uma das trajetórias mais consistentes da cena teatral baiana, tendo a arte feminista como eixo de criação e transformação social. Fundada em 2008, em Salvador, a companhia reúne mulheres em todas as suas equipes de trabalho e desenvolve uma pesquisa artística voltada para a valorização das experiências femininas, da memória histórica e da equidade de gênero. Atualmente, o coletivo é formado por Ana Luisa Fidalgo, Camila Guilera, Fernanda Beltrão, Lara Couto e Márcia Limma.


A estreia do primeiro espetáculo, "Dorotéia", de Nelson Rodrigues, com direção de Hebe Alves, aconteceu em 2010, marcando o início de uma trajetória premiada. A montagem recebeu o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, circulou pelo interior da Bahia por meio do edital BNB de Cultura, integrou as comemorações do centenário de Nelson Rodrigues promovidas pela Funarte e conquistou o Prêmio de Inovação e Criatividade no Festival Teatranly Koufar, em Minsk, na Bielorrússia. O espetáculo também participou de importantes festivais no Brasil e no exterior.


A partir de 2011, A Panacéia passou a investir na dramaturgia própria, aprofundando uma linguagem autoral que deu origem a trabalhos como a performance "Lua Caída" (2013), os espetáculos "Lua Crescente" (2013), cujo texto foi selecionado para o Women Playwrights International, na África do Sul, "Lua Cheia" (2015) e "Nenhuma Carta" (2016), obras que circularam por festivais brasileiros e latino-americanos. Nesse período, a grupA também participou da fundação do Colectivo Âmbar, rede latino-americana de artistas e gestores culturais.


Nos últimos anos, a pesquisa sobre mulheres invisibilizadas pela história tornou-se uma das principais marcas da companhia. Dessa investigação nasceram espetáculos como "EU PAGU", dedicado à escritora e ativista Patrícia Galvão, e "Filipa", que narra a trajetória de Filipa de Souza, mulher perseguida pela Inquisição por sua orientação afetiva. A montagem recebeu, em 2024, o 12º Prêmio Ordem do Mérito Cultural da Diversidade LGBT+, concedido pelo Grupo Gay da Bahia.


O compromisso com a formação de novas gerações também se materializa nas produções voltadas ao público infantojuvenil. Os espetáculos "200+1 – As Heroínas da Independência" e "Meninas Contam a Independência" apresentam, de forma lúdica e acessível, as histórias das mulheres que participaram das lutas pela Independência do Brasil na Bahia. Em 2024, "Meninas Contam a Independência" foi indicado ao Prêmio Bahia Aplaude na categoria Melhor Espetáculo Infantojuvenil e integrou importantes festivais, como o FIGA, o FIAC Bahia e o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga.


Em 2026, A Panacéia ampliou sua atuação como articuladora da cena teatral ao co-realizar a primeira edição da Mostra Baía de Vozes Insurgentes, iniciativa que levou ao FRINGE do Festival de Curitiba seis espetáculos solos de atrizes baianas. A mostra destacou obras autorais que abordam diferentes formas de violência de gênero e reafirmou o compromisso do coletivo com a ampliação da visibilidade das mulheres nas artes cênicas.


Além da produção artística, A Panacéia desenvolve cursos, oficinas e atividades formativas voltadas para mulheres e meninas, utilizando o teatro como instrumento de fortalecimento da autoestima, do trabalho coletivo e da reflexão sobre as trajetórias de mulheres que transformaram a história. A proposta pedagógica reforça a convicção de que a arte pode ser um importante agente de transformação social, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e igualitária.


Ao longo de sua história, A Panacéia consolidou-se como uma das principais referências do teatro feminista brasileiro, reunindo criação artística, pesquisa histórica, formação cultural e ativismo em uma produção comprometida com a representatividade, a memória e os direitos das mulheres.

 
 
 

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